Para além dos anúncios de seus novos cdramas para este ano, o evento acabou ofuscado pelos planos do futuro da plataforma, declarações polêmicas do CEO e o uso de artistas em projetos com IA. Acompanhe abaixo o resumo completo!
A iQiyi deu o que falar com os acontecimentos da sua mais recente conferência, a iQiyi World Conference 2026. Diante da situação complexa, reuni aqui o que encontrei sobre a situação, que pode até ser considerado uma das maiores polêmicas dos últimos anos, já que o evento repercutiu fortemente na cdramaland e na indústria do c-entretenimento.
Realizado nos dias 20 e 21 de abril, em Pequim, o evento trouxe muitas novidades, como novos trailers de cdramas, pôsteres, animações e programas de variedades previstos para estrear agora em 2026 e em parte de 2027 e até uma estratégia bem ambiciosa da iQiyi baseada em inteligência artificial.
A plataforma dedicou um tempo do evento para destacar seus avanços tecnológicos e afirmar um movimento claro em direção a um ecossistema que eles chamam de mais descentralizado, orientado e liderado por criadores.
O evento contou com a divulgação de novos e primeiros materiais de cdramas muito aguardados como When I Meet The Moon (romance juvenil com Lu Yuxiao e Lin Yi), River of No Return (histórico com Cheng Yi e Lin Gengxin), Road to Success (romance esportivo com Esther Yu e Chen Jingke), The Heir (histórico com Yang Zi e Elvis Han), Love Kills Slowly (drama de suspense e romance maduro com Zhong Chu Xi e William Chan), Genius Girlfriend (romance juvenil escolar com Tian Xiwei e Hu Yitian) e Shadow Punisher (xianxia investigativo com Luo Yunxi), entre muitos outros.
O evento tinha tudo para repercutir de forma positiva, no entanto, o que realmente chamou atenção e gerou fortes críticas e repercussão negativa foram as falas do fundador e CEO da iQiyi Gong Yu durante a apresentação de uma nova ferramenta de IA para criação de conteúdo da plataforma.
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| Painel apresentando o banco de dados com artistas disponíveis para projetos com IA. Imagem cr: @ForCdrama (via X / Twitter) |
Segundo os relatos do evento, o executivo chegou a afirmar que atores reais podem, no futuro, se tornar uma espécie de “patrimônio cultural imaterial” e revelou uma lista com mais de 100 artistas que estariam disponíveis para projetos com IA dentro da plataforma.
Entre os nomes citados estavam atores populares da cdramaland como Chen Zheyuan, Cheng Lei, Zeng Shunxi, Zhai Xiaowen, Wang Churan, Li Yitong e Wang Yuwen.
Um ponto que levantou ainda mais questionamentos no Twitter e no Weibo foi o fato de muitos desses artistas terem vínculos diretos com a iQiyi, seja por contrato direto ou por estarem sob empresas associadas à plataforma, o que gerou especulações sobre possíveis pressões contratuais.
Além disso, a lista não se limitava a atores, incluía também músicos, apresentadores, idols e outros profissionais do entretenimento chinês.
Apesar dos lançamentos de cdramas futuros incríveis que virão na iQiyi, o que realmente dominou a conversa e de maneira bem negativa, foi justamente a apresentação dessa ferramenta de banco de artistas para uso com IA, acompanhada da divulgação da lista de atores junto das declarações do CEO. Isso gerou desconforto imediato e abriu espaço para uma onda de críticas por parte do público e da cdramaland.
Nadou Pro: A aposta da iQiyi em um “estúdio movido por IA”
Durante o evento, a iQiyi apresentou oficialmente a Nadou Pro, que é uma plataforma de produção de conteúdo com inteligência artificial voltada para uso profissional e a grande estrela da confusão.
A ferramenta integra cerca de 70 agentes de inteligência artificial ao longo de todo o processo criativo, indo desde a roteirização e direção até o design visual e edição, formando o que a empresa descreve como um verdadeiro “estúdio impulsionado por IA” que facilitará o processo de criação e produção de obras.
Um dos seus principais recursos é o banco de dados de talentos, que permite o uso da imagem de artistas (mediante consentimento, segundo a empresa) na criação de conteúdos com inteligência artificial.
Mais de 100 artistas, supostamente, já estariam fazendo parte do que eles chamam de “biblioteca de talentos”. Segundo relatos do evento, de acordo com o CEO Gong Yu, a proposta é combinar ideias de criadores com propriedade intelectual, talentos e ativos digitais da iQiyi para produções de diversos formatos, incluindo filmes, cdramas, animações e programas de variedades.
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| Prints do banco de dados de talentos da NadouPro que inundaram as redes sociais na época - Imagem cr: @cdramanoveland (via X / Twitter) |
Segundo relatos, a Nadou Pro oferece dois modelos de uso: um modo individual, em que um único criador utiliza múltiplos agentes de IA para gerenciar toda a produção, e um modo colaborativo, que integra equipes humanas e inteligência artificial no mesmo fluxo de trabalho.
Como parte de sua expansão global, foi relatado que a iQiyi também planeja lançar uma versão internacional da ferramenta. A primeira versão em inglês está prevista para lançamento ainda no primeiro semestre de 2026, com garantia de suporte futuro para outros idiomas, incluindo o português, segundo declarações do vice-presidente sênior da iQiyi, Liu Wenfeng para a imprensa.
Além da Nadou Pro, a empresa também apresentou o ChiJing AI, uma ferramenta de co-criação que permite aos usuários reescrever histórias e participar ativamente do desenvolvimento de conteúdos.
IA, estratégia e o futuro da plataforma
Sobre o futuro com o avanço tecnológico, segundo os relatos do evento, Gong Yu destacou que a atual onda de inteligência artificial representa uma mudança estrutural para a indústria audiovisual, diferente de evoluções tecnológicas anteriores. Segundo o que teria dito ele, a iQiyi, atenta a isso, pretende migrar de um modelo tradicional de streaming centralizado para um ecossistema descentralizado, mais próximo de uma rede social criativa.
O CEO também teria afirmado que a empresa continuará investindo em conteúdos premium, mas com uma redução significativa das produções. Mesmo com todo esse avanço tecnológico, é dito que os executivos reforçaram que elementos fundamentais da indústria permanecem inalterados.
Mesmo na era da IA, duas coisas não mudarão: conteúdo premium e propriedade intelectual forte. Grandes histórias continuarão definindo o valor máximo - afirmou Wang Xiaohui, diretor de conteúdo da iQiyi. (via:chinadaily)
Repercussão e reação do público
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| A hastag 'iQiyi enlouqueceu' chegou a entrar nos trending topics do weibo. Imagem cr: @updateasiatico |
Após tudo isso, a recepção do público foi majoritariamente negativa. Além das críticas pesadas nas redes sociais, tanto na China quanto internacionalmente, alguns atores mencionados na lista do banco de dados ainda vieram a público negar que tenham autorizado o uso de suas imagens para esse tipo de projeto como Chen Zheyuan, Wang Churan, Wang Yuwen, Li Yitong e Zhang Ruoyun.
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| Declarações de alguns atores negando envolvimento com essa ferramenta de IA. Imagem cr: @cdramanoveland (via X / Twitter) |
Em resposta a toda a polêmica, a iQiyi afirmou que a lista incluía apenas artistas interessados em explorar projetos com IA e garantiu que qualquer uso de imagem ainda depende de negociação e autorização, seguindo processos semelhantes aos das produções tradicionais.
O próprio CEO Gong Yu também se pronunciou em seu perfil no Weibo, dando a entender que suas falas foram tiradas de contexto. Segundo ele, o uso de IA no audiovisual é algo positivo e tem como objetivo ampliar o acesso, apoiar criadores e reduzir a carga de trabalho dos atores, que poderão ter uma vida mais qualitativa ainda que isso possa significar ganhos iniciais menores, serão compensados por um maior volume de projetos e divisão de lucros.
Ele também compartilhou no seu perfil um artigo alinhado à sua visão sobre o tema, intitulado “Controvérsia sobre o banco de dados de artistas de IA da iQiyi: um salto industrial mal compreendido” (tradução livre), que trás uma analise mais profunda sobre e que pode ser lido na íntegra clicando aqui.
Logo no início, o texto afirma que “A IA é apenas uma ferramenta, e o valor de uma ferramenta está em servir às pessoas. O futuro da indústria cinematográfica e televisiva não será ser ‘dominado pela IA’, nem será uma ‘rejeição da tecnologia’ ou uma substituição; em vez disso, será um novo ecossistema de colaboração entre humanos e máquinas.”
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| Nos seus perfis oficiais no Weibo, a iQiyi e o CEO Gong Yu fizeram declarações a respeito. Imagens: Prints via Weibo. |
Apesar das justificativas, a reação negativa continuou intensa. A hashtag “iQiyi enlouqueceu” entrou nos trending topics do Weibo, refletindo o descontentamento do público. Com a grande repercussão, tanto a plataforma quanto o CEO desativaram os comentários nas publicações relacionadas ao tema em seus perfis no Weibo.
Em meio à polêmica, fica o debate: o que será da indústria do c-entretenimento na era da IA?






